Juliano , giornalista carioca :
. O argumento é no mínimo curioso: como a legislação eleitoral
obriga que todos canidatos sejam ouvidos isso configura limitação à
liberdade de expressão! Nem uma palavras das outras emissoras. Nenhuma
movimentação da TV Brasil, emissora pública. Se não fosse pela
quantidade de placas de candidatos espalhadas por toda cidade nem
saberíamos que no domingo que vem vamos escolher o próximo prefeito.
Em meio à apatia e ao marasmo político o quadro que está pintando é bem
sério. Infelizmente, o que se desenha é algo muito pior do que apenas
mais quatro anos na mesma coisa. O grupo político do Cesar Maia e os
pefelistas, de uma forma geral, vêm passando por um sério desgaste desde
a reeleição do Lula e desde que o contra-ataque político de 2005, na
crise do mensalão, não deu em nada. Os cálculos do próprio DEMo indicam
que eles só devem fazer uma prefeitura em capital brasileira. É o
símbolo do esgotamento de uma direita de tradição udenista, que já vai
tarde.
Por outro lado, a ascensão de figuras como Eduardo Paes é um tipo de
"renovação" política extremamente perigosa. Muito pior do que poderia
ser o 'mais do mesmo'. Não me refiro nem ao fato de uma vitória de
Paes consolidar o grupo do PMDB que orbita em torno de Sergio Cabral
Filho unido com a máfia dos Picciani, que já domina a ALERJ com diversos
milicianos. Falo de um fenômeno que a classe média carioca
assiste há alguns anos, passivamente, sem se importar com as
conseqüências a médio e longo prazo. Estamos diante da possibilidade de
eleição de um candidato apoiado pela máquina eleitoral do PMDB;
sustentado financeiramente pelos lobbies das empresas de ônibus, planos
de saúde e construtoras; e garantido politicamente por dobradinhas com
os grupos milicianos da zona oeste, maior área eleitoral da cidade.
O jovem político Eduardo Paes tem pela frente um futuro de
possibilidades assustadoras montado sobre uma máquina dessa natureza e
garantido, por cima, pelo patrocínio de Cabral e pela omissão
confortável de Lula, que está mais interessado em eleger um aliado no
Rio, quem quer que seja.
Cega pelo preconceito de classe, boa parcela dos cariocas só está
preocupada em barrar Crivella, com medo da Igreja Universal, quando não
percebe que está gestando, com Paes, a articulação do que há de
pior na política, na economia e na área de segurança pública. Com medo
do conservadorismo de costumes de Crivella – também uma ameaça real – a
classe média aposta suas fichas num produto do oportunismo político e da
conveniência eleitoral. É o ovo da serpente.
Por outro lado, alguns iludidos ou mal informados não perceberam que
Gabeira há muito não é opção à esquerda. O PV foi base fiel de apoio ao
governo Cesar Maia desde 1992. Agora quer posar de oposição,
associado ao grupo de
Marcelo Alencar, talvez a família que mais tenha roubado o Estado do Rio
com as escandalosas privatizações da Light, CEG, Metrô, Barcas,
Supervia... Fechando a trinca e visando justamente o elitismo da classe
média da zona sul, a cereja do bolo, o discurso hardcore de segurança
pública da juíza Denise Frossard, que parece dar o tom da campanha de
Gabeira. A eminência parda na campanha se reflete na mudança de discurso
de Gabeira, que, como lembrou Arthur Coelho, só fala em andar livre no
território que dirige. Concordo com ele: temo pela maneira como Gabeira
pretende "andar livre" pelas áreas dominadas pelo tráfico (e pelas
milícias)...
Agora, às vésperas da eleição, com o quadro à esquerda fragmentado, não
dá pra deixar se enganar por Gabeira, que posa como candidato de
esquerda e se comporta a la PFL. Uma chapa Jandira-Molon- Chico teria
sido mais competitiva e entusiasmante, mas não aconteceu. Pelas
pesquisas, são mais de 20% de indecisos. Mas não acredito em pesquisas
desde que elas derrubaram o Chico Alencar na boca de urna em 1996.
Naquela ocasião, os números distorcidos forçaram um voto útil no Miro.
Mesmo assim, Chico alcançou 21,7% dos votos, mas ficou fora do segundo
turno. Miro, ironicamente, não atingiu sequer dois dígitos. Agora tentam
fazer o mesmo na disputa entre Jandira e Gabeira, saudado pela imprensa,
desde o lançamento de sua candidatura, como uma 'grande novidade' na
política carioca (!!!).
Conversando com as pessoas, mesmo as mais instruídas, dá pra perceber o
quanto essas eleições não foram capazes de mobilizar ninguém. A apatia é
geral. E esse é o maior perigo. Infelizmente, penso que são mais de 40%
de indecisos. Diante desse quadro assustador, a hora é de acordar pro
perigo de um segundo turno com Eduardo Paes. Se tivermos uma candidatura
de esquerda no segundo turno já será muito, muito difícil batermos a
força política e o poder econômico que o sustenta. Se Gabeira ou
Crivella forem para o segundo turno estaremos condenados.
Não é hora de brincar. Domingo que vem o voto é em Jandira Feghalli, a
única candidatura viável de esquerda.
A domani
sábado, 4 de octubre de 2008
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